Saltar para o conteúdo
Blog

Indicadores de gestão da clínica dentária: o que medir todos os meses

6 de novembro de 2026Arnau Fàbrega
A mascote da Keishal, de óculos, sentada numa barra de um gráfico de cinco barras com a última laranja: os indicadores de gestão a medir todos os meses
Resumo

Os indicadores de gestão de uma clínica dentária a medir todos os meses são cinco: pacientes sem consulta há 12+ meses, taxa de retorno, ocupação da agenda, faltas e ticket médio por tipo de pagador. Calculam-se com uma exportação ou à mão. Em Portugal a média única engana: se 30 pacientes privados dão lugar a 30 de seguradoras, o ticket desce de ≈129 € para ≈122 € sem mudar um preço.

Os indicadores de gestão de uma clínica dentária que vale a pena medir todos os meses são cinco: pacientes sem consulta há mais de 12 meses, taxa de retorno, taxa de ocupação da agenda, faltas e ticket médio separado por tipo de pagador. Todos se calculam com os números da sua própria clínica, a partir de uma exportação do software de gestão ou à mão. Cinco números, sempre com a mesma fórmula, no mesmo dia de cada mês.

O software de gestão costuma mostrar bem o que já aconteceu: faturação, produção, consultas realizadas. O que fica de fora é quem deixou de aparecer. Este artigo explica como calcular cada KPI da clínica dentária, que decisão muda com ele e porque é que, em Portugal, uma média única de faturação engana.

Porque medir poucos indicadores de gestão, e sempre da mesma forma

Um indicador só serve se mudar uma decisão. Se a taxa de ocupação cai e ninguém mexe na agenda, o número foi apenas curiosidade.

Por isso, mais vale cinco indicadores calculados todos os meses do que vinte num relatório que ninguém abre. E a fórmula não pode mudar a meio do ano. Se num mês conta as desmarcações como faltas e no seguinte não, a comparação deixa de valer.

Compare cada valor com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado. Uma clínica dentária tem sazonalidade, e agosto não se parece com março. É a comparação homóloga que a revela.

1. Pacientes sem consulta há mais de 12 meses

É o primeiro indicador porque mede o que nenhum relatório de faturação mostra: a parte da base que parou. Conte as fichas com historial, última consulta há mais de 12 meses e nenhuma marcação futura. Depois divida pelo total de fichas.

Com 3.000 fichas e 900 nessa situação, 900 / 3.000 = 30% da base está parada. A tendência interessa mais do que o valor. Se no mês seguinte forem 940, entraram na lista mais 40 pessoas do que as que saíram dela.

Para ter uma ordem de grandeza, no Barómetro da Saúde Oral 2025 da Ordem dos Médicos Dentistas (1.200 inquiridos), 68,1% foram ao dentista nos últimos 12 meses. Cerca de um em cada três não foi. O Barómetro mede a população e não a sua agenda, mas ajuda a perceber se 30% é um valor estranho. Não é.

A decisão que este número muda é a reativação: se a faz, a quem e por onde começa. O artigo sobre quanto custam os pacientes inativos à sua clínica dentária faz a conta do valor e mostra o método.

2. Taxa de retorno à consulta de revisão

O primeiro indicador é um stock. Este é o fluxo que o alimenta. Pegue nos pacientes que vieram num mês do ano passado e veja quantos já voltaram desde então.

Por exemplo, em novembro de 2025 a clínica atendeu 220 pacientes diferentes. Um ano depois, 132 deles já tiveram outra consulta. A taxa de retorno é 132 / 220 = 60%. Os outros 88 estão a caminho do indicador 1.

Este número separa duas causas que a faturação mistura. Uma clínica pode faturar o mesmo que no ano passado com menos pacientes a voltar, se estiver a captar mais pacientes novos. Durante uns meses parece tudo bem. Depois a captação abranda e a base que devia sustentar a agenda já não está lá.

Também ajuda saber porque é que não voltam. No mesmo Barómetro, 26,2% dos inquiridos nunca marcam uma consulta de revisão. E entre quem raramente ou nunca vai ao dentista, 53,8% respondem «não necessito» (113 respostas). Muitos não voltam porque ninguém lhes lembrou que a revisão já passou.

3. Taxa de ocupação da agenda

A taxa de ocupação da agenda é a parte das horas de cadeira disponíveis que teve uma consulta realizada. Calcule-a em horas, não em número de consultas, porque uma destartarização e uma reabilitação não ocupam o mesmo tempo.

Imagine duas cadeiras, 8 horas por dia e 21 dias úteis. São 2 × 8 × 21 = 336 horas disponíveis. Se as consultas realizadas somaram 260 horas, a ocupação foi 260 / 336 ≈ 77%.

Meça duas versões: a marcada (o que estava na agenda na véspera) e a realizada (o que aconteceu). A diferença entre as duas são as faltas e as desmarcações de última hora, que são o indicador seguinte.

Uma ocupação baixa pode ter causas opostas. Se há horas livres e a lista do indicador 1 cresce, ninguém está a chamar os pacientes que a clínica já tem. Se a ocupação está alta e os pacientes esperam semanas por uma vaga, o limite é a capacidade. Aí a decisão é outra: horários, mais um médico dentista ou mais uma cadeira.

4. Faltas às consultas

A taxa de faltas é o número de consultas marcadas que não se realizaram, sem aviso, dividido pelo total de consultas marcadas. Separe as faltas sem aviso das desmarcações com antecedência, porque as segundas ainda deixam voltar a ocupar o lugar.

Com 800 consultas marcadas no mês e 40 faltas sem aviso, a taxa é 40 / 800 = 5%. Se cada uma dessas consultas valesse, em média, 50 €, seriam 40 × 50 € = 2.000 € de cadeira parada nesse mês. Faça a conta com o seu valor por consulta, não com este.

Em Portugal, o aviso deixou de ser garantido. No Barómetro de 2025, só 48,6% dos pacientes dizem avisar sempre quando faltam ou se atrasam, menos 17,7 pontos do que em 2024. Um lembrete ajuda, mas sozinho não chega. O artigo sobre como reduzir faltas na clínica dentária explica o que falta.

5. Ticket médio, separado por tipo de pagador

O ticket médio é a faturação do mês dividida pelo número de pacientes atendidos. Numa média única, engana mais em Portugal do que noutros mercados, porque na mesma agenda convivem pagadores que pagam valores muito diferentes pelo mesmo ato.

O paciente privado paga a tabela da clínica. No beneficiário da ADSE, a ADSE paga uma parte e o paciente outra, a preço de tabela: na tabela em vigor desde 1 de outubro de 2026, uma consulta são 15,75 € da ADSE mais 5,25 € do paciente, 21 € no total. As seguradoras pagam preços negociados de rede. E o cheque-dentista paga 45 € por cheque, que cobre o episódio inteiro (Portaria 430/2023).

Veja o efeito num mês de uma clínica com 400 pacientes atendidos:

PagadorPacientesFaturaçãoTicket médio
Privado28044.800 €160 €
Seguradoras704.900 €70 €
ADSE401.400 €35 €
Cheque-dentista10450 €45 €
Total40051.550 €≈ 129 €

Agora imagine que, no mês seguinte, 30 pacientes privados dão lugar a 30 de seguradoras, com os mesmos preços. A faturação passa a 250 × 160 € + 100 × 70 € + 1.400 € + 450 € = 48.850 €. O ticket médio desce para 48.850 / 400 ≈ 122 €.

Desceu cerca de 7 € sem que ninguém tenha mexido num preço. O que mudou foi a mistura de pagadores. A média única diz que a faturação desceu, e a tabela diz porquê. Por isso, calcule o ticket médio por tipo de pagador e acompanhe o peso de cada um.

Para comparar, use os seus próprios meses. No Barómetro, o último tratamento custou em média 136 €, mas 64,4% pagaram 50 € ou menos. A consulta de revisão é barata e o valor está no que ela encontra. Uma média nacional por tratamento não é um objetivo para o seu ticket por paciente.

O cheque-dentista pede outra leitura: é uma porta de entrada para famílias, não uma receita a recuperar. O que muda com ele em 2027 está no artigo sobre o PNPSO 2030 e o cheque-dentista.

O que o software de gestão lhe mostra e o que fica de fora

O software de gestão foi feito para registar o que acontece: quem veio, o que se fez, o que se faturou. Por isso é forte nos indicadores do passado e mais fraco nos da base que não aparece. Cada programa é diferente, e o seu pode ter relatórios que outros não têm. A pergunta útil é se consegue ver estes números sem os montar à mão.

IndicadorOnde costuma estarO que é preciso fazer
Faturação e produçãoRelatório do softwareSeparar por tipo de pagador
Consultas realizadasAgendaConverter em horas para a ocupação
FaltasAgenda, se forem registadas como faltaRegistar sempre da mesma forma
Pacientes sem consulta há 12+ mesesRaramente como númeroFiltrar as fichas pela data da última consulta
Taxa de retornoRaramenteCruzar dois períodos
Orçamentos apresentados e não aceitesDepende do registoContá-los e dar-lhes um responsável

Os três últimos têm uma coisa em comum: falam de pessoas que não estão na agenda. Um relatório de faturação não as mostra, porque não há nada para faturar. São, no entanto, as que dizem para onde vai a faturação dos próximos meses.

Como montar o painel mensal de KPI sem software novo

Não precisa de um programa novo para começar. Precisa de uma exportação, de uma folha de cálculo e de uma hora fixa na agenda do diretor clínico, no primeiro dia útil do mês.

  1. Exporte os dados do mês. Consultas marcadas, realizadas e faltadas, com a duração. Faturação por paciente e por pagador. Data da última consulta de cada ficha.
  2. Calcule os cinco números com as fórmulas de cima. Escreva a fórmula ao lado de cada um, para que no mês seguinte se calcule igual.
  3. Use três colunas: este mês, mês anterior e mesmo mês do ano passado.
  4. Escreva a decisão que cada indicador aciona. Se a lista de pacientes sem consulta cresce dois meses seguidos, há reativação nesse mês. Se as faltas passam o limite que a clínica definiu, reveem-se os lembretes e a confirmação.
  5. Leia o painel com quem decide. O diretor clínico e, se houver, o gestor da clínica. Com os números prontos, dez minutos chegam.

Se a exportação for difícil, comece só pelos indicadores 1 e 4. São os que mais depressa se transformam numa ação.

O limite destes números

Nenhum destes indicadores tem um valor certo para todas as clínicas. Uma clínica com muita ortodontia tem outro ticket e outro ritmo de retorno do que uma clínica de medicina dentária geral. Uma ocupação de 77% pode ser boa numa clínica que guarda horas para urgências e fraca noutra que não as guarda.

Por isso, a comparação que conta é com a própria clínica. Os dados nacionais servem para perceber se um número é estranho, não para lhe dizer quanto devia ser.

Onde entra a Keishal

A Keishal é um sistema autónomo que opera a parte não clínica de uma clínica dentária, e estes indicadores fazem parte disso. Nas clínicas em que já o faz, em Espanha, lê os dados do software de gestão e liga cada conversa com pacientes ao que aconteceu na agenda e na faturação. O dono recebe relatórios mensais pensados para quem decide, não para a informática, com a base que deixou de vir ao lado da faturação.

Em Portugal, estamos a estudar o mercado e não prometemos datas. Se quiser ver como funciona essa parte, a página de business intelligence para clínicas dentárias mostra-a. E a pergunta que antecede qualquer sistema, quem o opera depois de instalado, está no artigo sobre como escolher um sistema de IA para a sua clínica dentária.

Entretanto, os cinco números fazem-se com uma exportação e uma folha de cálculo. Para começar pelo primeiro, a calculadora de reativação faz a conta do valor dos pacientes sem consulta.

Fontes: Ordem dos Médicos Dentistas, Barómetro da Saúde Oral 2025 (novembro de 2025, 1.200 inquiridos); ADSE, Tabela de Preços do Regime Convencionado em vigor a 1 de outubro de 2026; Portaria n.º 430/2023.

Perguntas frequentes

Partilhar artigo
Sobre o autor
Arnau Fàbrega
Arnau Fàbrega

While working at Deloitte I realised that the AI revolution was going to fundamentally change how businesses operate. At Keishal I focus on creating autonomous systems that do the work, not just assist people in doing it.

Tudo pronto para experimentar a Keishal na sua clínica dentária?

Experimente grátisFale connosco
Artigos relacionados
A mascote da Keishal, pequena, ao lado de uma ampulheta com a areia laranja ainda em cima: marcar a consulta de revisão antes de o prazo acabar
6 de novembro de 2026

Recall de pacientes na clínica dentária: como manter a consulta de revisão em dia

O recall de pacientes é manter em dia a consulta de revisão de quem ainda é paciente ativo, antes de ficar inativo. Em Portugal, só 23,5% marcam a próxima consulta no fim da anterior (OMD, 2025), por isso cerca de três em quatro saem sem ela. Numa clínica com 300 revisões por mês, são ≈230 pacientes, ≈19 horas de chamadas. O valor não está na taxa da revisão, mas no que ela encontra.

A mascote da Keishal espreita por trás de um telemóvel com um lembrete das 17:00 e a resposta do paciente: reduzir faltas não acaba no lembrete
2 de novembro de 2026

Reduzir faltas na clínica dentária: o lembrete não chega sozinho

Para reduzir faltas na clínica dentária são precisas três coisas: um lembrete, uma confirmação a que o paciente responda em segundos e alguém que trate a resposta e volte a ocupar o lugar. Em Portugal, só 48,6% dos pacientes avisam sempre quando faltam (OMD, 2025). Meça a sua taxa e faça a conta: 40 consultas por dia × 5% = 2 cadeiras vazias por dia, 480 consultas por ano.