A 1 de janeiro de 2027 o PNPSO 2030 entra plenamente em vigor: o direito a cheque-dentista passa de cerca de 850 mil para cerca de 1,6 milhões de pessoas, surge o cheque-prótese e os privados entram numa Rede Nacional de Saúde Oral. As condições de pagamento da nova rede ainda não estão confirmadas. O cheque paga pouco por ato (45 € / 3,3 ≈ 13,6 €); o valor está em lembrar antes de caducar (36% ficaram por usar em 2025) e em manter a família depois do episódio.
A 1 de janeiro de 2027, o PNPSO 2030 entra plenamente em vigor e o cheque-dentista muda. Segundo o comunicado do Governo de 20 de março de 2026, as pessoas com direito a cheque passam de cerca de 850 mil para cerca de 1,6 milhões. Surge um cheque-prótese, os cheques passam para a app SNS 24 e os prestadores privados entram numa Rede Nacional de Saúde Oral. Para a sua clínica dentária, isso quer dizer quase o dobro das famílias que podem chegar com um cheque: 1,6 milhões / 850 mil ≈ 1,9.
O que ainda não se sabe é quanto e como serão pagos os prestadores privados na nova rede. Este artigo separa o que está publicado do que não está e faz a conta do que o cheque vale para a clínica. Mostra também onde está o trabalho que faz diferença: lembrar antes de o cheque caducar e manter a família depois do episódio.
O que é o PNPSO 2030
O PNPSO é o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, o programa do SNS que inclui o cheque-dentista. O cheque é um vale que o SNS emite para grupos definidos na lei e que o paciente usa num médico dentista aderente, quase sempre privado. Em 2025, 91% dos cheques utilizados foram usados em consultórios privados (ERS, maio de 2026).
O PNPSO 2030 é a nova versão do programa, aprovada pela Portaria n.º 123/2026/1, de 20 de março. Até entrar plenamente em vigor, a 1 de janeiro de 2027, com o novo sistema de informação SISO, continuam a valer as regras da Portaria n.º 430/2023.
Hoje, pela Portaria 430/2023, têm direito a cheques para prestadores fora do SNS:
- crianças e jovens com menos de 18 anos;
- grávidas;
- beneficiários do complemento solidário para idosos;
- pessoas que vivem com o VIH;
- pessoas com risco aumentado de cancro oral.
Em 2025, segundo uma estimativa da OMS/Europa, cerca de 20% da população tinha direito a cheques.
O que muda no cheque-dentista a partir de janeiro de 2027
O Governo anunciou quatro mudanças, e o estudo da ERS de maio de 2026 confirma a data e descreve a nova rede:
- Mais pessoas com direito a cheque. De cerca de 850 mil para cerca de 1,6 milhões. É quase o dobro. Se o padrão de 2025 se mantiver, a maior parte desses cheques vai ser usada em consultórios privados.
- Um cheque novo, o cheque-prótese. Um vale para próteses dentárias, com regras ainda por publicar (ver abaixo).
- Os cheques na app SNS 24. Os cheques passam a estar integrados na aplicação do SNS, no telemóvel do paciente.
- Uma Rede Nacional de Saúde Oral. Segundo a ERS, a rede integra os serviços e gabinetes de saúde oral das ULS e os prestadores convencionados do setor social e privado. A sua clínica, se aderir, passa a ser um desses prestadores convencionados.
A rede faz sentido quando se olha para o lado público. No fim de 2025, o SNS tinha 250 gabinetes de saúde oral nos cuidados primários, e 98 dos 278 concelhos do continente não tinham nenhum (ERS, maio de 2026). O dentista do cheque continua a ser, na prática, o dentista privado.
O que ainda não se sabe sobre o PNPSO 2030
Há três pontos que, à data deste artigo, não conseguimos confirmar numa fonte publicada. Dizemo-lo assim em vez de adivinhar:
- As condições de pagamento dos prestadores convencionados. O valor por cheque, o prazo de pagamento e o que cada cheque cobre na nova rede. O texto da Portaria 123/2026/1 não abriu quando o consultámos.
- Se o regime de adesão muda. Hoje adere-se com um contrato online. Se a passagem a prestador convencionado exige um contrato novo, ou outras condições, não está confirmado.
- Os valores e os critérios do cheque-prótese. Quanto vale, quem tem direito e que atos cobre não estavam publicados quando escrevemos.
Antes de decidir alguma coisa para janeiro, confirme estes três pontos no texto da portaria e junto da sua ULS. São eles que dizem se a adesão continua a compensar nas mesmas condições.
O que está em vigor até lá
Até 31 de dezembro de 2026 valem as regras da Portaria 430/2023, e convém tê-las presentes para comparar quando as novas forem conhecidas:
- Valor: 45 € por cheque utilizado (20 € e 50 € nos cheques de diagnóstico e de biópsia do cancro oral). A portaria diz que o valor deve ser revisto pelo menos a cada dois anos.
- Pagamento: a clínica envia os cheques utilizados à ULS todos os meses, e a ULS paga no prazo máximo de 30 dias após a validação.
- Adesão: um contrato de adesão online no Portal do SNS, com declaração sob compromisso de honra e cópia da cédula profissional. Não há concurso nem quotas.
- Escolha: o paciente escolhe livremente o médico dentista aderente.
No fim de 2025 havia 5.885 médicos dentistas privados aderentes (ERS). Contra os 13.498 médicos dentistas com inscrição ativa na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) no fim de 2024, são cerca de 5.885 / 13.498 ≈ 44%, com a ressalva de que as duas contagens têm datas diferentes. A adesão também é muito desigual: 3.147 aderentes no Norte e 982 em Lisboa e Vale do Tejo.
Quanto vale o cheque-dentista para a clínica
Pouco por ato, e isto é importante para não fazer contas erradas. Um cheque paga o episódio inteiro, não um ato. Entre 2008 e julho de 2025, cada cheque utilizado correspondeu em média a cerca de 3,3 atos (OMD, Relatório sobre o Cheque-Dentista 2025). A 45 € por cheque, 45 € / 3,3 ≈ 13,6 € por ato.
Visto do lado do país, a conta dá o mesmo resultado. Em 2025 foram utilizados 492.112 cheques. No máximo, 492.112 × 45 € ≈ 22,1 milhões de euros, e é um máximo porque os cheques do cancro oral valem menos. A despesa total em consultórios dentários foi de 1.240,6 milhões de euros em 2024 (OCDE). São 22,1 / 1.240,6 ≈ 1,8% do total.
O cheque não é, portanto, uma linha de receita que mude as contas da clínica.
Onde está o valor: a família que chega com o cheque
O valor está no que acontece antes e depois do cheque. Os dados de 2025 mostram duas fugas.
A primeira: cheques que ninguém usa. Segundo a ERS, foram emitidos 767.746 cheques em 2025 e utilizados 492.112. Ficaram por usar 767.746 − 492.112 = 275.634, ou seja, cerca de 36%. Parte disso não tem a ver com a clínica. Mas cada cheque que caduca é uma consulta que não aconteceu, muitas vezes de uma criança.
A segunda: famílias que não ficam. No relatório da OMD de 2025, só 20,3% dos utilizadores do cheque continuaram com o médico dentista que os atendeu (321 respostas). Compare com o Barómetro da Saúde Oral 2025, também da OMD: em geral, 71,6% dos portugueses nunca mudaram de médico dentista, ou só mudariam por necessidade. São inquéritos diferentes, com públicos diferentes, mas o contraste é grande.
Juntando as duas, o padrão é este: a família chega pelo cheque, faz o episódio e, na maior parte dos casos, não volta. Com a elegibilidade a quase duplicar, esse padrão passa a aplicar-se a muito mais famílias.
A conta para a sua clínica
Faça-a com os seus números. Como exemplo, uma clínica aderente que atendeu 300 cheques num ano:
- Receita dos cheques: 300 × 45 € = 13.500 € no ano, por cerca de 300 × 3,3 ≈ 990 atos.
- Famílias que ficam, à taxa do relatório da OMD: 300 × 20,3% ≈ 61. As outras 239 saem depois do episódio.
- Se a procura de cheques na sua zona crescer na mesma proporção que a elegibilidade, o que ninguém garante: 300 × 1,9 ≈ 570 cheques por ano.
O número que interessa não é o dos 13.500 €. É quantas dessas 300 famílias ainda estão na sua base de dados, com uma revisão marcada, daqui a dois anos. Isso a clínica consegue medir: conte, na sua ficha, os pacientes que vieram com cheque em 2024 e veja quantos voltaram depois. Para o resto da base parada, a calculadora de reativação de pacientes faz a mesma conta com os seus números.
Há um limite que convém dizer. Nem todas as famílias ficariam, mesmo com o melhor acompanhamento. Algumas mudam de zona, outras escolheram a clínica só pela proximidade, outras não podem pagar o tratamento privado. A conta serve para ver o tamanho da fuga, não para prometer receita.
O que preparar antes de janeiro de 2027
Nada disto exige saber as condições da nova rede. É trabalho que já faz sentido hoje e que pesa mais a partir de janeiro.
- Marcar na ficha quem veio com cheque. Sem isso, não consegue medir quantas famílias ficaram nem lembrar ninguém.
- Lembrar antes de o cheque caducar. O cheque tem prazo de validade. Uma mensagem a lembrar que o cheque ainda pode ser usado, e que há datas disponíveis, ajuda a família a não o perder.
- Marcar a revisão no fim do episódio. Hoje, só 23,5% dos pacientes deixam a próxima consulta marcada no fim da consulta (Barómetro 2025). A família que sai do episódio sem data é a que mais facilmente não volta.
- Voltar a contactar quem não marcou. Uns meses depois do episódio, uma mensagem a lembrar a consulta de revisão, sem oferta nem pressão.
- Registar o resultado. A marcação, o «não temos interesse», o número errado. Sem registo, a lista do ano seguinte repete os mesmos nomes.
O que cada mensagem pode ou deve incluir em Portugal define-se com aconselhamento especializado. Vale a pena levar a questão ao diretor clínico e a quem trata da proteção de dados da clínica. Como boa prática geral: identificar a clínica, lembrar sem oferecer nada e dar sempre uma forma simples de deixar de receber mensagens. Uma família que vê a clínica comunicar assim confia mais nela.
Porque é que isto não cabe na receção
Faça a conta de tempo com o exemplo de cima. Se 570 cheques por ano pedem um lembrete antes de caducarem e outro para a revisão depois do episódio, são 570 × 2 = 1.140 contactos por ano, cerca de 1.140 / 12 = 95 por mês. A 5 minutos cada um, entre abrir a ficha, escrever e anotar, são 475 minutos: perto de 8 horas por mês.
O tempo de enviar é o menos. O que custa são as respostas: o horário, o que o cheque cobre, se o irmão também pode vir. E a receção já vive do telefone: 65,3% dos pacientes marcam consulta por telefone (Barómetro 2025). Cada chamada que entra passa à frente da lista.
O que faz a Keishal com as famílias do cheque
A Keishal não emite, não valida e não fatura cheques: isso continua no sistema do SNS e na sua clínica. O que faz é a parte de comunicação que vem antes e depois do episódio.
É um sistema autónomo que fala com os pacientes por WhatsApp, em português europeu, sem que a sua equipa tenha de configurar ou operar nada. Envia lembretes e confirmações de consultas e reativa pacientes que deixaram de vir, a partir do historial que está no software de gestão. Antes de escrever a alguém, exclui quem pediu para não ser contactado.
Quando a família quer marcar, a conversa continua no WhatsApp e ela escolhe a hora numa ligação de calendário. A marcação fica na agenda da clínica. O que precisa de uma pessoa passa para uma pessoa, e os pacientes sabem que estão a falar com um assistente de IA. Na página de reativação de pacientes vê como funciona por dentro.
Funciona com o software da sua clínica? A ligação faz-se através de uma camada de conectores modular: a Keishal lê os dados para ter contexto e escreve de volta marcações e estados, sem migrações. A página de integrações explica a ligação, e antes de decidir confirmamos consigo o caso do seu programa.
Se contou as famílias que vieram com cheque e não voltaram, marque uma demonstração e vemos a lista consigo.
Fontes: Governo de Portugal, «Governo aprova novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral 2030» (20 de março de 2026); ERS, Acesso a Cuidados de Saúde Oral no Serviço Nacional de Saúde (maio de 2026); Portaria n.º 430/2023, de 12 de dezembro; OMD, Relatório sobre o Cheque-Dentista 2025 (novembro de 2025); OMD, Barómetro da Saúde Oral 2025 (novembro de 2025, 1.200 inquiridos); OMD, Os Números da Ordem 2025; OMS/Europa, Can people afford to pay for health care? Portugal (2025); OCDE, Health Statistics, contas de saúde de Portugal, 2024.

Recall de pacientes na clínica dentária: como manter a consulta de revisão em dia
O recall de pacientes é manter em dia a consulta de revisão de quem ainda é paciente ativo, antes de ficar inativo. Em Portugal, só 23,5% marcam a próxima consulta no fim da anterior (OMD, 2025), por isso cerca de três em quatro saem sem ela. Numa clínica com 300 revisões por mês, são ≈230 pacientes, ≈19 horas de chamadas. O valor não está na taxa da revisão, mas no que ela encontra.

Indicadores de gestão da clínica dentária: o que medir todos os meses
Os indicadores de gestão de uma clínica dentária a medir todos os meses são cinco: pacientes sem consulta há 12+ meses, taxa de retorno, ocupação da agenda, faltas e ticket médio por tipo de pagador. Calculam-se com uma exportação ou à mão. Em Portugal a média única engana: se 30 pacientes privados dão lugar a 30 de seguradoras, o ticket desce de ≈129 € para ≈122 € sem mudar um preço.

